16 jun
2011
Posted in: Escopo
By André Jun    2 Comments

Escopo editorial #1

É bastante difícil imaginar uma editora funcionando nos moldes que vemos em Gerenciamento de Projetos. Contudo, acredito que é importante que os editores mudem suas mentes e deixem de ser apenas amantes do livro e passem a ser gerentes de projetos, empreendedores e fomentadores da melhoria dos processos editoriais. Assim, este breve post propõe-se a iniciar discussão a respeito de como tratar a questão do escopo editorial se é que isso existe.

Princípio de tudo

Se o PMI afirma que projeto é um “empreendimento único, com início e fim determinados, que utiliza recursos e é conduzido por pessoas, visando atingir objetivos predefinidos”, poderíamos concluir que não há projetos em casas editoriais. Os recursos são sempre os mesmos (ou com poucas variações). As pessoas, também. O objetivo? Fazer um livro. É tentador classificar cada livro como projeto. Particularmente, sempre fiz isso, mas atualmente tendo a encarar cada obra como produto. E aqui iniciamos o primeiro passo do Gerenciamento de Projetos Editoriais: escopo de produto versus escopo de projeto.

Escopo do produto

Liga-se às características e funções que ele terá. Assim, tem a ver com aquilo que o cliente pede. Minha experiência em didáticos dirá, assim, que o livro didático (produto) deve ter uma série de características (como mancha adequada; papel de boa gramatura; autoria, edição e revisão de qualidade; imagens apropriadas) e funções (como ensinar adequadamente e trazer educação) a um cliente muito especial, crianças e adolescentes.

O escopo do projeto

É o trabalho* que teremos para entregar o produto. Entretanto, pode haver outros pequenos produtos antes da entrega do produto final. Por exemplo, se você foi contratado para realizar a produção editorial de um livro, talvez precise de profissionais que façam:

  • projeto gráfico;
  • diagramação;
  • ilustração;
  • edição;
  • revisão.

Cada etapa acima entregará um produto. Este produto caminha cadeia abaixo gerando novos produtos até chegarmos ao livro — produto final. [Nosso escopo aqui não inclui autoria, impressão, distribuição e comercialização, e-commerce etc].

Finalizando

Há dois escopos (no mínimo) que ocorrem concomitantemente. Escopos de projeto e de produto caminham juntos de modo tal que:

  • a autoria escreve e entrega no prazo**;
  • a arte desenvolve projeto gráfico e diagrama;
  • o editor estabelece parâmetros para inovação na obra;
  • o editor-assistente faz a edição dos originais;
  • a revisão faz as alterações nas provas;
  • a arte fecha o PDF para a gráfica;

E se for uma coleção? Acredito que ela toda pode ser encarada como um grande produto. O projeto é montar a estrutura para viabilizar a coleção. Esse exemplo começa (?) a se assemelhar com os grandes projetos das áreas industriais de onde vem o estudo de gerenciamento de projetos.

* Ter uma equipe multifacetada a ponto de produzir livros, coleções e outras obras ao mesmo tempo parece-me ser um projeto.

** Já vi muitos problemas por conta de produção autoral. A melhor saída que conheço é um contrato bem escrito. Caso você conheça outras saídas, deixe seu comentário ;-)

Bibliografia

Leopoldo, Cindy. Maturidade em Gerenciamento de Projetos (Livros)

Sotille, Mauro Afonso et al. Gerenciamento do escopo em projetos. Rio de Janeiro: Editora FGV.

2 Comments

  • Muito bom! E no caso de publicações digitais? Será que daria mais um post? Eu adoraria. Rs. Estou lendo os PDFs da sessão “gestão de projetos”. Parabéns pelo blog! Você faz consultoria? Tenho interesse em consultoria em gerenciamento de projetos editoriais digitais.

    • Olá, Michel! Tudo certo? Publicações digitais é o meu foco no momento, estou me especializando justamente nesta área por meio de um mestrado na Universidade de São Paulo. Espero em breve trazer novos conteúdos para todos — vamos ver! Sobre sua outra pergunta, a resposta é “sim”. Caso tenha interesse em falar sobre consultoria, mande nova mensagem passando sua real necessidade. Grande abraço!

So, what do you think?