1 mai
2012

Keynes e a Análise Técnica

Após a leitura de muito conteúdo a respeito da Análise Técnica (LeandroStormer, Pregão ao Vivo da XP, Jesse Livermore, The New Market Wizards, Come Into My Trading Room etc), encontrei-me hoje lendo um texto simplesmente de John Maynard Keynes. É importante dizer que apesar de ter noção da importância desse senhor para a economia, não conheço muita coisa de sua vida e obra — para não dizer que não conheço nada. Felizmente, isso não me impede de querer ler parte de sua obra e –para minha alegria– encontrar textos que completam minhas leituras sobre a Análise Técnica (AT).

Começo, então, com trecho do original (afinal, é sempre melhor beber da fonte):

It would be foolish, in forming our expectations, to attach great weight to matters which are very uncertain. It is reasonable, therefore, to be guided to a considerable degree by the facts about which we feel somewhat confident, even though they may be less decisively relevant to the issue than other facts about which our knowledge is vague and scanty. For this reason the facts of the existing situation enter, in a sense disproportionately, into the formation of our long-term expectations; our usual practice being to take the existing situation and to project it into the future, modified only to the extent that we have more or less definite reasons for expecting a change.

The state of long-term expectation, upon which our decisions are based, does not solely depend, therefore, on the most probable forecast we can make. It also depends on the confidence with which we make this forecast — on how highly we rate the likelihood of our best forecast turning out quite wrong. If we expect large changes but are very uncertain as to what precise form these changes will take, then our confidence will be weak.

A partir da leitura desse breve trecho, percebe-se que o próprio Keynes descreve um padrão de comportamento bastante comum para todos nós: baseamos nosso processo de tomada de decisão quando nos sentimos mais confiantes no sucesso à frente. Lógico.

Mas justamente aí reside um grave problema: todo o conhecimento acumulado por alguém pode ser insuficiente para a tomada de decisão correta, ou seja, por mais que alguém se sinta confiante, a decisão poderá ser completamente equivocada. Como traders isso acontece conosco a todo momento (se não há um plano traçado, um setup previamente definido).

Fato interessante é Keynes afirmar que é absolutamente convencional analisarmos a situação atual e projetá-la no futuro, sabendo que há razões (ou quaisquer variáveis?) que podem provocar alguma mudança. (E não fazemos isso o tempo todo?)

Assim, ele caminha para o conceito de confiança segundo o qual fazemos as previsões de mercado. “Se esperamos grandes mudanças, mas não sabemos como elas ocorrerão, então, nossa confiança é menor”.

De fato, por mais que todos os osciladores indiquem uma possível alta, ela de fato só ocorrerá se os preços a confirmarem. Assim, procuramos basear as previsões em todos os tipos de sinais que julgamos convenientes (para cara trader, segundo seu próprio modelo de trabalho, seja day trader, swing, position ou qualquer outro modelo ainda não classificado) — sabendo que elas ainda podem falhar. E caso isso ocorra há que se sair da posição, rever a estratégia e corrigi-la se necessário.

So, what do you think?