27 jun
2012

É muita confusão

Hoje logo cedo li um belo post no Webinsider — particularmente acho que é uma ótima fonte e gosto muito do conteúdo. Um dos nomes que respeito muito é o de Bruno Rodrigues a quem devo muito, pois boa parte do desenvolvimento de meu Trabalho de Conclusão de Curso debruçou-se (entre outros itens) sobre o Webwriting. Aliás, o título de meu trabalho foi Webwriting: além do texto, e foi defendido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Muito bem. Quando digo “belo post” não estou sendo irônico, pois sei do trabalho que dá produzir bom material. Além disso, o post E-books vieram para ajudar na disseminação do conhecimento está superbem redigido e vem até com um infográfico, minha gente! (Para a alegria de todos que –como eu– adoram aqueles infográficos no Pinterest).

Mas calma lá. Confesso que fiquei atordoado com a última sequência de 2 posts e aqui está a minha inquietação.

Primeiro post

Dias atrás, um post (do Webinsider) comentava uma das principais pesquisas a respeito da leitura em nosso país, a Retratos da Leitura no Brasil, organizada pelo Instituto Pró-Livro. Dê uma lida na pesquisa, vale a pena. Provavelmente muitos dados farão sentido, mas há pequenas lacunas que –acredito– precisam ser mencionadas. Confesso que li o relatório somente uma vez, portanto, ainda não tive tempo de encontrar outras brechas a serem melhoradas. Contudo, aqui vão apenas duas:

  • Em 2011, há uma inovação: na página 31 do relatório, pode-se encontrar a seguinte informação: “Mudança nas perguntas que geram os indicadores de leitura: antes era perguntado ao entrevistado quantos livros ele havia lido no último mês/ nos últimos 3 meses/ nos últimos 12 meses. Nessa onda foi perguntado quantos livros inteiros ele leu e quantos em partes no último mês e assim por diante”.
    • Dúvida: se o critério foi alterado (e entendo a alteração) como se pode comparar estes dados de leitura atuais com os anteriores? Na página 73, há uma comparação entre as 3 pesquisas realizadas. Imagino que o parâmetro de comparação tenha sido o livro inteiro, mas não há informação ali.
  • Na página 141, há uma comparação entre o consumo de livros impressos versus livros digitais. Entretanto, a base populacional utilizada foi a geral, ou seja, os públicos que consomem e não consomem livros digitais.
    • Não seria interessante fazer um cruzamento aqui e ver as respostas do público que de fato lê livros digitais? É questão de realizar um filtro (acho!).

Ainda nesse mesmo post, apresenta-se aquela velha história da relação entre as vendas de tablets e o aumento da leitura. Essa é uma relação que (embora faça sentido) esconde detalhes relevantes. Em um dos grupos dos quais participo, alguém certa vez disse “talvez aí onde você mora as pessoas leiam muito e comprem e-readers (como o Kindle). Aqui onde resido as pessoas compram iPads e jogam”. Verdade. Quem lê livros em um tablet? Poucas pessoas.

Leia este outro post. O que de fato ocorre é o seguinte: pessoas que sempre leram porque sempre viram valor na leitura tendem a comprar os e-readers ou tablets para lerem mais (em um dispositivo diferente, para ter uma nova experiência de leitura). E pelo que parece, tal hábito de leitura em dispositivos eletrônicos acaba fomentando o consumo do livro impresso novamente. Quem já lia (aparentemente) está lendo mais. E quem não lia? Joga Angry Birds, então?

(Os dados de venda de livros indicam o quanto as pessoas compram. Não o quanto elas leem, infelizmente. Há quem diga que pessoas compram livros para simplesmente colocá-los na estante ou para se sentirem mais inteligentes. Aliás, há quem diga que os livros impressos continuarão a ser vendidos justamente por esse tipo de consumidor que aprecia o objeto livro.)

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Ainda nesta mesma questão sobre taxa de leitura, temos finalmente algo novo. Seth Godin, escritor, palestrante e outras coisas mais, indicou que a Amazon talvez tenha dados de leitura dos ebooks lidos por usuários de Kindle. Ele fez esse comentário durante a BookExpo IDPF devido a uma pergunta superinteligente de uma alma feliz. Quem levantou a bola foi um editor que queria saber por que é dada tanta ênfase em vendas e pouco se faz para saber quanto de um livro foi lido de fato.

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Segundo post

Após se anunciar que o nível de penetração do livro digital no Brasil é de apenas 5%, como se pode dizer que o livro eletrônico caiu no gosto dos brasileiros?

Por fim, gostaria de compartilhar duas imagens com você. Espero que faça sentido.

Não se contente com este simples post e leia mais sobre os downsides do ebook na Onlineuniversities.com. Garanto que tem coisa muito boa!

So, what do you think?