3 dez
2012

LIGAÇÃO em Taubaté

Faz um tempo estive em Taubaté para falar um pouco de meu projeto de mestrado sobre o livro (o livro digital, essa história toda de impresso versus digital, a leitura, os dispositivos eletrônicos etc) no LIGAÇÃO, que é o evento que reúne muita gente boa para tratar de Literatura, Games e Arte em Ação ali mesmo na cidade de Lobato. O LIGAÇÃO é realizado pela Unitau, Cidade do Conhecimento, Instituto Todo Mundo e Games for Change.

Fiz uma apresentação bem simples e expliquei um pouco mais sobre essa revolução do livro digital, que acontece verdadeiramente pela primeira vez na história. Falei um pouco sobre os três eixos que norteiam todo o meu trabalho em post anterior. Então, não vou explicar tudo novamente.

Gostaria apenas de dar destaque a um dos vários tópicos que abordei na apresentação: a morfologia do livro — que é também um dos três eixos de Chartier.

Trata-se da “cara” do livro, ou como nos diz o Houaiss, “estudo da forma, da configuração, da aparência externa da matéria”. Assim, os vários itens que compõem o tradicional livro impresso entram nesta categoria. Estamos falando da capa — mais dura que as folhas do meio –, passando pelo frontispício e itens como paginação e cabeços, até o formato do livro em si e o material usado em seu acabamento.

Ao longo da história, uma característica foi marcantemente preservada por permitir que o leitor interagisse com o livro em suas mãos: a margem. Ela permitiria que o leitor anotasse suas reflexões sobre o texto naquele espaço disponível e, assim, conversaria com aquela obra. Logicamente, nem sempre as anotações seriam de concordância, mas também de discordância, complementaridade e observações, e após dezenas ou centenas de anotações teria-se uma obra inteiramente anotada ou comentada. Quase um livro novo.

Aqueles que — como eu — simplesmente não conseguem deixar de grifar, puxar linhas na vertical, desenhar símbolos de interrogação ou exclamação ou anotar “genial” entendem o que quero dizer. A margem é um espaço onde interagimos melhor com o texto… ou melhor, com o autor mesmo — concordando, discordando de suas ideias.

Na apresentação, falei brevemente de um projeto chamado The Golden Notebook que trata especificamente dessa questão da margem e de como isso é importante para o leitor mais interessado. Trata-se de um projeto que está on-line desde 2008, e nele há 7 mulheres que dialogam e anotam às margens do livro. A ideia central é promover uma espécie de aprendizagem colaborativa por meio dessa leitura e desse compartilhamento on-line.

No site do projeto, há uma observação muito interessante em relação ao fato de que não seria viável ter pessoas demais anotando, “boas conversas são desorganizadas, não lineares e complicadas. A área para comentários, um espaço cronológico de rolagem não é bom o suficiente para seguir uma conversa com infinitos participantes. Sete pessoas pode ser ainda gente demais“.

Na home page do projeto, você poderá encontrar algumas das páginas mais comentadas pelo grupo das 7 mulheres. (Aliás, o livro em questão está na lista dos 100 melhores romances de todos os tempos pela Time).

Muito bem… a partir daí, algumas perguntas:

  • Como fica a anotação do livro digital?
  • Existe margem ainda?
  • E esse compartilhamento global funciona? (ou é melhor deixar para “7 pessoas sempre”?)

No projeto falo um pouco do Openmargin, app cujo foto está justamente nas anotações e compartilhamentos, que podem ser vistos por qualquer usuário. Mas, isso fica para outro post. Já cansei de escrever aqui. Fui!

Um pouco sobre fronstispício

So, what do you think?